A história do GPELIN se encontra no capítulo de apresentação do livro “Perspectivas outras em educação linguística crítica”:
O GPELIN (Grupo de Pesquisa em Educação Linguística) surgiu na universidade pública brasileira, comprometida com o ensino, a pesquisa e a extensão, sobretudo com a formação cidadã. Como professoras e professores, somos educadoras e educadores engajados(as) na busca pela “vocação ontológica para o ser mais” (Freire, 1996, p. 20), assumindo a responsabilidade pela nossa educação crítica e de outras pessoas – discentes, orientandos(as) e colegas pesquisadores(as)/ educadores(as) – nos contatos que se dão em nossos diversos espaços de formação universitária. Afinal de contas, estamos freireanamente implicados(as) neste processo.
No início de 2020, ainda sem prever o que seria uma pandemia, houve a primeira publicação do grupo: Entre Línguas: Letramentos em prática. Na apresentação, retomamos o período de criação do GPLEM e seus desafios. Nesta segunda publicação do Grupo, resultado das reflexões e pesquisas de alguns dos atuais membros, queremos retomar alguns fatos do contexto no qual a ideia de criação do grupo de pesquisa surgiu, dentro da Universidade Federal do Paraná e, em particular, no Setor de Educação Profissional e Tecnológica. É possível retroceder cronologicamente, mas, por questões de tempo e espaço, nosso recorte é o ano de 2009, quando a Escola Técnica da UFPR dá origem ao Setor de Educação Profissional e Tecnológica.
Na época, o momento era propício para a expansão universitária e para a criação de novos cursos, reformulações e mudanças de habilitação. Dentro desse cenário, o novo Setor foi dedicado à educação profissional e tecnológica, inicialmente com cursos técnicos e superiores de tecnologia, os conhecidos tecnólogos. Dentre os cursos criados, alguns guardam certa proximidade entre si, outros nem tanto, o que fez com que a composição do corpo docente contratado fosse das Letras ao Direito, com passagens pelas Engenharias e Exatas – e áreas até então não acadêmicas, como a Luteria. Sendo assim, temos cursos diversificados, criados predominantemente junto ao Setor e docentes com formações, interesses, experiências e atuações igualmente diversas atuando de maneira próxima uns dos outros.
Um aspecto significativamente demandante do início do novo Setor e dos novos cursos foi o fato de que a criação e estruturação destes se deu junto à do Setor, enfatizando a criação concomitante. Os primeiros anos serviram à tal estruturação, não havendo muita disposição e energia para as outras atividades, como a pesquisa. Entretanto, passados os anos iniciais, começam a surgir demandas de atividades de pesquisa, interesse nos editais de apoio e de iniciação científica. Entre os anos de 2014 e 2018, os Professores Thiago Corrêa Freitas e Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim estiveram como representantes setoriais nas questões que tangenciavam a pesquisa e, dentro das atividades desenvolvidas, houve o fomento à organização e criação de grupos de pesquisa.
Algumas dificuldades inicialmente encontradas consistiram na dificuldade de agregar docentes por aderência a um tema comum, sendo que parte destes estavam em início de carreira e ainda não atuando de maneira robusta em pesquisa e na pós-graduação. A isso soma-se que, à época, havia apenas um programa de mestrado no Setor, em área que não agregava parte considerável dos docentes. Após o entendimento da situação, em reuniões com a direção, julgou-se conveniente levar a discussão da pesquisa no Setor para as instâncias acima, em particular à Coordenação de Pesquisa da Pró-reitoria correspondente.
Na época, essa coordenação era de responsabilidade da Profa. Graciela Ines Bolzon de Muniz, que recebeu as demandas, entendeu a situação do Setor e as necessidades para o desenvolvimento das atividades de pesquisa, principalmente dispondo de seu tempo para realizar reuniões com os docentes e apoiando a criação dos grupos de pesquisa. Nesse contexto, surge boa parte dos grupos de pesquisa do Setor, incluindo o Grupo de Pesquisa em Línguas Estrangeiras Modernas (GPLEM), atualmente Grupo de Pesquisa em Educação Linguística (GPELIN), que ao longo dos anos, desde 2015, acolheu docentes e discentes, se consolidando como um grupo relevante dentro e fora da instituição, principalmente após o credenciamento da professora Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras no ano de 2016, o que impulsionou as pesquisas do Grupo com a participação de discentes de mestrado e doutorado vinculados a este Programa.
Os docentes e discentes que participam do Grupo são oriundos(as) desde cursos de graduação, com seus planos de iniciação científica, até pesquisas de pós-doutorado que têm sido desenvolvidas não somente no âmbito do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná, mas também de outras instituições brasileiras que filiaram-se ao Grupo e nele encontram um espaço para desenvolver grupos de estudos onde podem debater questões teórico-metodológicas de diversos temas relacionados à educação linguística. Esses(as) pesquisadores(as) têm desenvolvido trabalhos em diferentes linhas de pesquisa cadastradas no diretório do CNPq do grupo, a saber: Educação Linguística, Fonética e Fonologia da língua alemã, Libras como L2 para ouvintes, Línguas e intercâmbio em cursos superiores de tecnologia e, a mais recente, criada durante a escrita desta apresentação, QUEERstionando o CIStema. Cada uma das linhas possui um(a) pesquisador(a) responsável e suas atividades têm produzido diversas publicações ao longo dos dez anos de existência do Grupo.
Neste ano, o GPELIN completa 10 anos. Desde a sua criação, em 2015, quando ainda se chamava GPLEM (Grupo de Pesquisa em Línguas Estrangeiras Modernas), temos nos constituído como espaço de leituras e de discussões, as quais têm reverberado em nossas pesquisas, em nossas práticas de sala de aula e em nossas atividades extensionistas sem perder de vista seu objetivo inicial: a formação permanente (Freire, 1996). É importante ressaltar que sua existência só se consolidou pelo comprometimento de seus membros, que foram mudando ao longo do tempo: alguns saíram, depois retornaram e outros entraram. Tal comprometimento só ocorre, como nos ensina a epígrafe de Munduruku (2024), porque nos sentimos parte dele.
O link para acesso gratuito do livro se encontra no site: https://ponteseditores.com.br/loja3/pontes-editores-home-2__trashed/ebook/lancamento-e-book/perspectivas-outras-em-educacao-linguistica-critica/